Boletim Especial da UFRN – Número 83

Pesquisa

Interessados em contribuir com a campanha e em obter mais informações podem acessar o site ntdplatform.ccs.ufrn.br

Por João Sales

Interessados em contribuir com a campanha e em obter mais informações podem acessar o site ntdplatform.ccs.ufrn.br

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) inicia, esta semana, uma campanha de financiamento colaborativo (crowdfunding) com o intuito de arrecadar fundos para o estudo de vacinas contra duas doenças endêmicas no Brasil: Doença de Chagas e Leishmaniose.

Os estudos são desenvolvidos pelo Laboratório de Imunoparasitologia vinculado ao Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da UFRN. O laboratório é coordenado pelo professor Marcelo Silva, que está à frente da campanha. De acordo com o professor, o foco da pesquisa é identificar, por meio da inovação tecnológica, os aspectos da resposta imune dos parasitas que causam essas doenças, para desenvolver vacinas.

 

A iniciativa é resultado de um consórcio ibero americano chamado RedVLP, que a universidade integra juntamente com instituições acadêmicas de outros nove países: Espanha, Portugal, Uruguai, Paraguai, Argentina, Alemanha, Bolívia, Colômbia e Estados Unidos.

“Este ano a campanha foi feita na Espanha, e durante 2018 vai ser aqui no Brasil, realizada pela UFRN. Quem financia as campanhas nos países é a Cyted, uma agência espanhola que financia projetos de pesquisa e inovação, principalmente ligados a países ibero americanos. É o segundo ano que a UFRN tem uma iniciativa financiada pelo Cyted”, destaca o professor Marcelo Silva.

Rede científica de colaboração

O financiamento colaborativo promovido pela UFRN é uma das ações que integram a RedVLP. O consórcio existe com a finalidade de formar uma rede científica de colaboração para desenvolver protótipos de vacinas no âmbito de doenças tropicais negligenciadas, e fornecer recursos financeiros para que os pesquisadores de cada instituição acadêmica participante façam campanhas de crowdfunding.

A colaboração entre as instituições funciona da seguinte forma: um pesquisador de um laboratório apresenta um protótipo de vacina. Esse protótipo vai ser avaliado por diferentes laboratórios sob aspectos distintos como o nível de toxicidade e efetividade. Ou seja, a plataforma financia um grupo de pesquisadores de diferentes laboratórios, que irão cobrir todas as necessidades científicas para que a vacina possa ser lançada no mercado.

“Cada laboratório possui diferentes níveis de conhecimentos, alguns trabalham com química de proteínas, outros trabalham com formulação de vacinas, outros com desenvolvimento experimental e purificação de vacinas. Esse protótipo vai circular dentro dessa expertise, e o conjunto desses laboratórios formam o que chamamos de rede científica de colaboração”, pontua Marcelo Silva.

Para desenvolver as pesquisas no Brasil, o Laboratório de Imunoparasitologia da UFRN conta com o apoio do Núcleo de Pesquisa em Alimentos e Medicamentos (Nuplan) também da UFRN e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que possui uma tradição em estudos da parte clínica da Leishmaniose.

De acordo com Marcelo Silva, a UFRN vai estudar diferentes aspectos da validação de vacinas no contexto da Doença de Chagas, Leishmaniose e Tripanossomíase Africana, embora esta última não seja endêmica no Brasil nem em outros países da América Latina.

 

Doenças tropicais negligenciadas

A rede científica de colaboração é importante porque, devido ao seu carácter multidisciplinar, o tempo para desenvolver um fármaco ou uma vacina, que pode durar aproximadamente dez anos, será reduzido. Esse aspecto ganha ainda mais importância por ser um tratamento direcionado para enfermidades sofridas principalmente pela população em situação de extrema pobreza: as doenças tropicais negligenciadas.

Marcelo Silva, PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE FARMÁCIA E COORDENADOR DA CAMPANHA. De acordo com Marcelo Silva, a UFRN vai estudar diferentes aspectos da validação de vacinas no contexto da Doença de Chagas, Leishmaniose e Tripanossomíase Africana

“Elas afetam aproximadamente 150 países em todo o mundo. No Brasil nós temos várias como a Dengue, que é causada por um vírus, e outras causadas pelos tripanossomatídeos : a Doença de Chagas e a Leishmaniose”, explica Marcelo Silva.

De acordo com um levantamento do Ministério da Saúde, 3.289 casos de Leishmaniose Visceral, conhecida como Calazar e 19.395 casos de Leishmaniose Tegumentar foram registrados no Brasil no ano de 2015, e aproximadamente 3 milhões de brasileiros estão infectados com a Doença de Chagas.

As duas doenças possuem tratamento farmacológico. Na Doença de Chagas, existe um fármaco chamado benzonidazol, efetivo apenas para os indivíduos que se encontram na fase inicial da infecção. O problema desse fármaco é que ele acarreta várias reações devido ao grau de toxicidade.

Em relação ao tratamento da Leishmaniose, apesar de existirem fármacos com eficácia, o valor é alto. Como a doença está diretamente atrelada a pessoas que vivem em situação de miséria, o acesso ao tratamento é prejudicado.

Para Marcelo Silva, a falta de investimento e iniciativa da indústria farmacêutica são os fatores responsáveis pela ineficácia e pela falta de acesso da população a um tratamento de qualidade. “Eles não são seguros porque faltam investimentos para estudar toxicidade desses medicamentos. O principal problema é que apesar de nós termos medicamentos, eles são tóxicos ou caros demais, então se conseguíssemos fazer pesquisas para que esses medicamentos saíssem do mercado e fossem substituídos e barateados, nós poderíamos controlar as doenças”, afirma.

 

Carência de estudos 

PESQUISAS EM FARMÁCIA, LABORATÓRIO DE IMUNIPARASITOLOGIA. Todo dinheiro arrecadado é direcionado para financiar as pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Imunopatologia da UFRN

A principal característica que pode denominar uma enfermidade como uma doença negligenciada é o fato de ela ser acometida por uma parcela da população que vive em situação de vulnerabilidade social e que lida com problemas como a falta de saneamento básico, a desnutrição e a falta de acesso à conscientização para cuidados com a saúde.

A partir daí cria-se um ciclo: população carente de um tratamento que se torna inacessível pelo desinteresse da indústria em novos estudos devido à baixa expectativa de lucro. O professor Marcelo Silva opina que, diante desse ciclo, as iniciativas precisam continuar nascendo dentro das universidades.

“A UFRN tem se preocupado bastante com essas doenças, porque acreditamos que somente com um indivíduo saudável é que vamos promover educação e o bem estar social. Sem as universidades públicas, e outros setores que financiam seus estudos, não seria possível ter a perspectiva de novas vacinas”, defende o professor.

 

Serviço

Os interessados em contribuir com a campanha e em obter mais informações podem acessar o site ntdplatform.ccs.ufrn.br. Todo dinheiro arrecadado é direcionado para financiar as pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Imunopatologia da UFRN.

 

Contato

Boletim produzido pela Agência de Comunicação da UFRN – AGECOM
Reitora: Ângela Maria Paiva Cruz
Vice-Reitor: José Daniel Diniz Melo
Superintendente de Comunicação: José Zilmar Alves da Costa
Diretor da Agência Comunicação: Francisco de Assis Duarte Guimarães
Telefones: (84)3215-3116, (84)3215-3132 – Fax: (84)3215-3115
E-mail: agecom@comunica.ufrn.br

2017-12-13T15:08:21-03:00 December 13th, 2017|Boletines|